No dia 18 de setembro, às 20h, o Instituto Moreira Salles e a editora Alfaguara prestam homenagem a Mario Quintana (1906-1994) com um bate-papo entre os poetas Eucanaã Ferraz e Italo Moriconi, seguido de uma leitura de poemas de Quintana com as poetas Laura Liuzzi e Alice Sant´Anna e o músico Mariano Marovatto. O evento é aberto ao público e gratuito, com distribuição de senhas a partir das 19h.
A homenagem acontece por ocasião do relançamento da obra completa de Mario Quintana pela editora Alfaguara, que tem curadoria de Italo Moriconi. O acervo do escritor gaúcho é abrigado pelo Instituto Moreira Salles desde 2009, e é composto por biblioteca de cerca de 1.200 itens, entre livros e periódicos; arquivo com produção intelectual contendo aproximadamente 1.100 documentos; rascunhos de poemas, frases e haicais; correspondência com 2.090 itens; 80 documentos pessoais; 2.700 recortes de jornais e de revistas e 400 fotografias.
Poeta que escreveu versos desde a infância, Mario Quintana, apesar de reconhecida modéstia, apostava na perenidade que, de fato conquistou com seus versos “insólitos, singulares”, como os chamou o grande poeta Manuel Bandeira. Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete (RS). Adolescente, trocava o estudo de desenho pela leitura de Dostoiévski. Em 1924, Mario Quintana começou a trabalhar na Livraria do Globo, em Porto Alegre. Inicialmente na função de desempacotador de livros, anos depois ele compôs, com Henrique Bertaso, Erico Verissimo e Mauricio Rosenblatt, o quarteto que transformaria a Livraria, até então modesta, na lendária editora Globo, fundada pela família Bertaso e responsável pela publicação de grandes nomes da literatura universal no Brasil. Estreou com o conto “A sétima personagem”, publicado no Diário de Notícias, de Porto Alegre, em 1926. Só no ano seguinte ele se apresentaria como poeta, quando o também gaúcho Álvaro Moreyra, então diretor da revista carioca Para Todos, publicou um poema seu. Em 1934, Quintana iniciou colaboração, que se revelaria longa, no Correio do Povo, de Porto Alegre.
Doce no trato e no temperamento, não deixava de surpreender: na revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, apresentou-se como voluntário e marchou para o Rio de Janeiro, onde ficou seis meses como integrante do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Em 1940, por insistência de um de seus irmãos e de Erico Verissimo, Quintana publicou seu primeiro livro: a coleção de 35 sonetos intitulada A rua dos cataventos, recheada da presença provinciana de Porto Alegre.
Com os textos curtos e poéticos publicados na coluna “Do Caderno H”, ele iniciou, em 1945, colaboração na revista Província de São Pedro. Muitos textos nesse estilo seriam publicados ao longo de sua fiel colaboração no Correio do Povo, o que não o impediu de publicar o segundo livro de versos, Canções, em 1946, em que, diferentemente do primeiro, se revela moderno, gozando de plena liberdade da forma. A este livro se seguiria Sapato florido, de 1948, com prosa poética e alguns aforismos: “Amar é mudar a alma de casa”, escreveu o poeta nesse livro que precedeu O aprendiz de feiticeiro, de 1950, e Espelho mágico, do ano seguinte. Estes são apenas alguns de uma extensa obra que, não só por extensão, mas por mérito, levou-o a se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras em 1981. Derrotado pelo professor Eduardo Portella, concorreria ainda duas vezes, sem sucesso. O poeta confiou à sobrinha, Helena, os papéis de que hoje se compõe seu arquivo. Quintana colecionou dezenas de cadernos em que fermentavam aforismos, muitos deles posteriormente reunidos em livros.