
Segunda-feira dia 31, Halloween para alguns, uma singela homenagem ao aniversariante itabirano mor. Venham.

Segunda-feira dia 31, Halloween para alguns, uma singela homenagem ao aniversariante itabirano mor. Venham.

Na bela revista Lado 7 o meu “Obrigado, Sr. Miyamoto!” se faz presente. Dividido em nove partes, antes de sua publicação, o poema foi submetido à leitura atenta e afetiva de André Capilé. Mesmo nascido em Barra Mansa o poeta-crítico banhou-se tanto nas águas de Juiz de Fora que é considerado por onde passa como um daqueles da terra que fez brotar um Murilo Mendes ou Pedro Nava. Segue abaixo o e-mail escrito por Capilé com suas belas considerações acerca do “Sr. Miyamoto”, invejadas por quem não foi ainda submetido pela leitura falastrona sincera do pseudo juiz forano mas verdadeiro leitor de poesia. O poema mesmo só da pra ler na revista. Como se verá, não acatei nenhuma das sugestões, mais por falta de tempo do que por preguiça. Me perdoe, André. Mas faço questão de registrá-las aqui.
E você leitor, faça o favor de comparecer na Livraria da Travessa do Shopping Leblon às 19hs na terça-feira, 25 de outubro e adquirir o seu bem nutrido exemplar.
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Mariano,
acabei de treler o trelelê do Myamoto (será assim a grafia? ou será Miamoto? sei-me-lá!).
Impressões primeiras, de marcha segunda – pra aguentar ladeira, sabe como é…:
Se gostei? Sim, gostei deveras, mais que a dor que Verinha sente, sem dúvida. Não pela verdade, mas por toda sorte, oxalá!, de ficção imaginada naquelas cenículas, nada cínicas, mas dobradas, de borda a borda, e eivadas de ironia branda, em nada solene, tão característica dos cariocas (os bons-maus, não os mau-maus e seus enfeites de melenas, ora, melecas!). Parar com esse tipo de raciocínio tão raciorrocinante e falar ao claro, no clarão: Se gostei? Caralho! Óbvio que sim. O senão? Picas voadoras! é pouco, tem de tudo para um quero mais de pequenas variações em abismo, explico, afinal, como li.
!) jogo de cenas. lembra, muito, quadrinhos – mais, muito mais que cinema. Pela concisão das imagens propostas, pela justeza das cenas, pela cartunização ao enquadrar personagens em seus flagrantes. Lembro um videoclipe do Green Day: Good Riddance (Time Of Your Life); nem sei o qto te desagrada a referência.
!!) a cena 7 (vou chamar disso) é um primor. a inversão cinética que vc propõe, um achado: “‘ele passou rápido’, diz um. ‘Nem me fale’, responde o outro”.
!!!) o não-acontecimento de cada evento, a expectativa por uma solução de cena… faz todo sentido quando “vê-se” o barco baleeiro ancorado.
são pequenos exemplos para o que vc já sabe. Agora, o vinagre – no caso aqui só tempeiro, nada que desabone o conjunto… mas uma coisa rentável nesses módulos, que percebo.
o texto é muito potente como gerador de pequenas potências micro-narráveis. cada móculo, em si, comporta novos módulos de execução… não como música – ou ritornelo, se preferir; mas como camadas mesmo… que podem se superpor, criadas e recriadas partindo desse núcleo duro. tudo em nove novos movimentos. exemplifico:
a) da cena 1 um módulo possível e de sugestão interessante seria escapar, como um braço novo, cenas desse local de trabalho;
b) da cena 2 de novo um módulo de espaço que pode ser interessante montar: o dos velhos idosos sendo desenhados: por quem? por quê? estão nus? homens? muçlheres?
c) da cena 3 re-de novo outro módulo de espaço: o hotel sendo lavado.
d) da cena 4 os componentes do coral, seriam um excelente módulo, inaugurando retratos-relâmpago (pra citar murilão, o nosso murilão).
e) da cena 5 um módulo pra brincar de linguagem: criar tipos de danças e frases emblemáticas para velhos e garotas.
f) da cena 6 temos dois espaços, mas já há espacialidade demais. o que fazer? penso: o sonho da senhora dormindo. frases soltas do livro lido por obrigação (texto castiço, chato, empolado) e, claro, a delícia dos pensamentos-bebês!
g) da cena 7 claro: as três anedotas do plantador de alface. anedotas mudas de um fotógrafo para o outro. anedotas que o girassol contaria para o trilho do trem sobre sua inutilidade.
h) da cena 8 conversas de balcão. flagrantes da vida média. ulisseido, estilo joyce, mas sem aquele barroquismo, claro.
i) da cena 9 ah… tá bom. vc acha aí. já sugeri demais… mas esse barco baleeiro…. hummmmmm
é isso, meu caríssimo. acho que rende, rende mais, sempre.
agora é esperar.
abraço forte
abraço, menos forte, em sua moça [elas têm essas fragilidades]
e cuide-se. nos vemos no durante.
seu e sempre
andré
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Agora uma pequena pausa para escrever a tese de doutorado. Antes, muitos agradecimentos pelo último show que rolou em Ipanema. Aí em cima a bela matéria em video feito pelo pessoal da 14 Produções. Abaixo as matérias escritas pelo portal da 14 e pelo Jornal do Brasil, igualmente belas. Obrigado a todos. Cacaso chama.
14 Produções, por Lila Protasio
JB Online, por Pedro Willmersdorf
E a cerejinha do bolo tá rolando desde ontem nas bancas. A Veja Rio me deu um crédito de 20 anos e de quebra posei ao lado do Frejat. Escaneei (mal) as três imagens e mandei lá pro Flickr, mas pra ver é só clicar aqui.

Hoje, sexta-feira 2 de setembro, às 21:30 eu e Masé Lemos estaremos no Espaço Aberto Literatura da Globo News especial Bienal do Livro falando sobre poesia com Claufe Rodrigues. Tem reprise às 01:30 da manhã e no sábado às 08:30 e 16:30.
Depois na terça-feira, dia 06, às 19hs estaremos novamente eu, Masé, Alice Sant’Anna, Laura Erber, Nicolas Behr e Claufe Rodrigues, no Café Literário da Bienal falando a poesia. A sinopse da mesa, de acordo com o site da Bienal, é: “Jovens e veteranos poetas celebram o encanto pela palavra dita, mantendo viva a forte tradição carioca que evoluiu da declamação romântica e parnasiana à moderna leitura em bares e lançamentos até a pós-moderna performance no palco e na web.”
Todos devidamente convidados!

Foi justamente em Tiradentes – há uns 7 ou 8 anos atrás – que caiu-me uma maçã na minha extensa fronte e disse eureka comigo mesmo: Por que não cantar? Faço orgulhoso o mancebo que era, voltando a Tiradentes para apresentar as canções deste meu primeiro disco. Quem estiver no Festival Gastronômico desta pérola barroca mineira, precisamente no Largo das Forras às 19hs do sábado dia 20 de agosto e também às 11hs da manhã do domingo dia 21 de agosto, invariavelmente me verá no palco.
Mais detalhes sobre tudo o que vai acontecer por lá, entre aqui: http://www.culturaegastronomia.com.br.

Vai que você perde? Vai ficar como?
Se você, assim como nós, gosta muito desse clipe, então ajude-nos a ganhar o Concurso Caixa de Clipes. Estamos concorrendo com várias outras bandas e cantores da América Latina na categoria de “Artista Intermediário”, ou seja, aquele que só tem um disco lançado. Os 10 mais votados vão para a grande final.
Clique aqui nessa caixinha e curta, tuíta, vote, compartilhe, bota um aviso no elevador, conta pra todo mundo:
O que vale é a soma de “curtir” + “tuítes” + “votos”, as três modalidades tem o mesmo peso. Lembrando que só vale curtir e tuitar dentro do link, se curtir ou tuitar nesse post não vai fazer efeito, ok?
Se ganharmos o concurso, prometemos fazer (com o dinheiro do prêmio) mais um clipe tão bonito quanto este e uma tiragem especial do disco em vinil!
Obrigado,
Mariano Marovatto (o cantor) e Pedro Freire (o diretor)

Sou o pior dos cinéfilos. Conheço nem 20% do que filmaram Godard, Fellini, Truffaut, Bresson, Renoir, Pasolini, Visconti, Scola, Antonioni e os outros menos cotados da turminha da Nouvelle Vague e da Cinecittà. Em Hollywood também eu sou péssimo, mas não vou citar aqui o que não assisti pra você não abandonar esse blog por desprezo a minha pessoa. Eu curto, sim, muito, umas coisas específicas que acabo pescando aqui e ali. Dentre elas, coisas importantíssimas como o maior de todos os diretores americanos, John Cassavetes e o japonês Hiroshi Teshigahara, que era muito amigo do compositor Toru Takemitsu de quem eu sou fã há mais tempo. Também curti muito os primeiros musicais do cinema sonoro de Lubitsch e os filmes do iuguslavo (muito) pancada, Dusan Makavejev. É assim minha relação caseira com o cinema, fico provando estes pratos exóticos, mas o feijão com arroz eu não comi.
Recentemente, numa busca por mais exotismos cinematográficos, comprei no saldão de DVDs de uma falecida livraria da comarca do Leblon, um filme chamado Symbiopsychotaxiplasm, de William Greaves. Li a orelha e levei, da mesma forma que se compra um livro. Filme americano da década de 60. Beleza. Cheguei em casa e botei pra tocar. Devo dizer que o impacto foi tão forte quanto aquela primeira vez que assisti Opening night do Cassavetes no Estação Botafogo. Que grande filme, meus amiguinhos. Nos dias subseqüentes perguntei pra todos os cineastas a mão se sabiam da existência do Symbiopsychotaxiplasm. Inacreditavelmente ninguém sabia. Joguei o nome no tuíter e só o grande Ismar Tirelli Neto pescou. Dias mais tarde o nobre poeta me agradeceu por email pela graça alcançada ao assistir a película (da mesma forma que fez, meses antes, quando disse para ele assistir um curta metragem do Teshigahara; Ismar é uma unanimidade).
Pois bem, da mesma forma que Maomé escreveu, mesmo que analfabeto, e pregou o Alcorão Oriente Médio afora, imbuí-me da missão de espalhar essa semente da sétima arte pelos rincões do Brasil – sowing the seeds of love, diriam aqueles caras. E graças a Alá, todo poderoso, o Take one do filme (sim, existe uma continuação) está totalmente disponível no YouTube, e eu, embedo as oito partes abaixo para você poder assistir.
O filme é de 1968, o ano mais emblemático da segunda metade do século XX. E tudo o que aconteceu em 1968 foi/é/(será?) obrigatoriamente lido na clave do “revolucionário”. Mas, diferentemente do que acontecia por aqui (AI-5) e na Europa (e sua primavera inesquecível), – locais onde a questão nacional e o engajamento político eram assuntos impregnados em toda expressão artística – neste filme, produzido na América do Norte e filmado no Central Park, não existe nada que remeta a um pano de fundo sócio-ideológico. Talvez, vá lá, a Guerra do Vietnã, mas somente se aplicarmos a equação russa de que “não há conteúdo revolucionário sem forma revolucionária”. A narrativa e a montagem do filme, de fato perturbadoras para 1968, eram “revolucionárias” mas sem amarras, sem questões ou preconceitos adaptados de outras áreas do conhecimento humano que não a artística. A liberdade formal (não confundir liberdade com superficialidade) desta única obra prima de William Greaves é o que garante a película a sua total originalidade. Tudo em nome da sétima arte, apenas. Uma aula para nós, de 2011, que vivemos essa revolução libertária artística às avessas. Bom filme.
Diferentemente do meu primeiro disco, não recomendo a ninguém o meu primeiro livro. Todo primeiro livro, creio eu, é uma espécie de “the best of” de poemas da vida do poeta, recolhidos até a data da publicação. Acontece que o meu “best of” estava muito carregado – também no sentido macumbológico – de segredos herméticos, lirismo diluviano e epígrafes dignas da rapeize da torre de marfim (obviamente a beleza dos desenhos da capa feito pela Raïssa, o pássaro e o contra-pássaro, estão fora da discussão, pertinente aos miolos e não ao belíssimo rosto do livro). Well well well esse post é pra dizer que, mesmo desacreditando da proposta d’O primeiro voo, tenho carinho por alguns momentos como esses que li em voz alta especialmente pro Soundcloud da Editora 7Letras. A faixa comentada do “Mistério em seis dedos” dá uma palhinha engraçada sobre que nuvens caminhava minha cabeçorra.