Monthly Archives: abril 2010

Crianças Insuportáveis, volume 1

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Se você disser que eu desafino, amor

O primeiro bootleg a gente nunca esquece. E não é que tem um meu, dando sopa no rapidshare pra quem quiser? Na íntegra, disponível pra download, o show da Maravilha Contemporânea gravado no Oi Novo Som em outubro do ano passado. Aproveitando a deixa, nossa magnífica equipe fez a capa e a contracapa para que esta bela pirataria não passasse assim tão desapercebida.

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O set list, que conta com covers de Paul McCartney e Wando, é assim:

1. intro / botões
2. entrevista #1
3. apenas um
4. entrevista #2
5. teu
6. let me roll it
7. entrevista #3
8. tanto
9. acho que não
10. entrevista #4
11. pequena flor
12. entrevista #5
13. tenha um bom dia
14. eu acho que eu estou perdendo você
15. entrevista #6
16. volta por cima

Clique aqui para o download completo do show em mp3s, com capa e contracapa (87207 KB).

Dê jota!

DISPAME1

Show!

Pitada_abril_2010_Multifoco

Release in English

“Where and how Bossa Nova began is a relatively unimportant thing” said Down Beat magazine in 1962. It was expected that the North-American Jazzophile public at the end of the 1950’s would be startled with this new Brazilian rhythm. The curious and unpredictable thing to understand is, even today in the home of this rhythm, how and why does Bossa Nova remain without a definitive answer? More than forty years later Mariano Marovatto underlines such irrelevances with his first album. Aquele Amor nem me fale (Lets not talk about that love) is a Bossa Nova record after all.

However, the enigma of sitting down on a stool with a guitar in hand so many years after so many things – the advent of Tropicalia, The Beatles, Punk, The 1980’s, Grunge, the Manguebit movement from Recife in the 1990’s, the Internet – and having been immersed in all of these fronts is what defines the true style of Mariano. Unsurprisingly then, each arrangement of each song on the Album was conceived and implemented by one or more musicians and was recorded with the musical styles and influences and accents of each of the invited guests.

And there were many. No fewer that 31 high calibre musicians participated in the execution and conception of the album. A line-up that probably doesn’t leave out any band from Rio de Janeiro. Besides Jonas Sá – co-producer with Mariano himself. Moreno Veloso, David Moraes, Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes and Marcelo Callado participated. Three members from Caetano Veloso’s Banda Cê are included. Gustavo Benjão, Gabriel Bubu along with Marcos Thanus, the bassist from Los Hermanos join in. Bruno Medina also from Los Hermanos along with Vitor Paiva, Botika, Papel, Fabiano Ribeiro, Qinho, Alice Sant’Anna, Mariana Albuquerque, Antonia Adnet, Bernardo Palmeira, Daniel Macacchero, Rafael Cosme and Löis Lancaster – the leader of Zumbi do Mato – have participated. Rodrigo Bartolo and Leo Monteiro from the duo Duplexx and Mauricio Pacheco – Producer and former band member of Mulheres que dizem sim and F.Ur.T.O. – are amongst many others. Together he formed his own personal “Clube da Esquina” or music club.

Mariano, besides writing and presenting the music program Segue o Som (Follow the Sound) for TV Brazil, holds a Bachelor degree in Brazilian literature from PUC University, Rio de Janeiro. He wrote his masters thesis about new Brazilian poetry and he is currently writing his doctorate thesis about poetry. He has also released two books First flight (7Letras, 2006) and Amoramérica (7Letras, 2008) along with the poets collective Os Sete Novos (The New Seven) which he forms with the great-grandchildren of the poet Alphonsus de Guimaraes. He is also a researcher and is responsible for organising the poetry collections of the poet and lyricist Cacaso at the Casa de Rui Barbosa foundation.

No wonder then that Aquele Amor nem me fale is a title taken word for word from a poem by Oswald de Andrade. The modernist and cannibalistic reference is justified in the nine tracks included on the album such as the cool Hawaiian version of Não tem lua, a 1992 hit by the band Asa de Águia. Teu, composed with partner Jonas Sá is a delicate vocal duet with Mariano and Jonas in a hybrid Bossa Nova style which reminds us, in the best possible sense, of the band Paralamas do Sucesso. One of the highlights of the album is the unexpected version of Não é por não falar by Titãs which is in the style of samba de roda. On Tanto the sunny atmosphere confirms Mariano’s pop vein – as if Herbert Vianna was suffering a psychedelic hangover and abandoning the reggae-rock for the nylon-strings of Bossa Nova. The simple Pra ela confirms this delirious Bossa-nova-pop and psychedelic-cool as Marovatto’s well chosen path.

In order to translate live the 9 tracks included on the album which are performed by 31 different musicians (and some other songs not included on the album) Mariano formed the Maravilha Contemporânea (“The Contemporary Wonder”), his favoured band that includes Fabiano Ribeiro on drums, Daniel Macacchero on guitar, Mariana Albuquerque on vocals and bass and the poet Alice Sant’Anna on background vocals and keyboards. The album will be released in 2010 with a series of live performances which will crown his welcome to the Rio de Janeiro music scene that increasingly renews and transforms itself in amalgam from a plurality of influences just like the songs on Aquele Amor nem me fale.

Bossa nova was already not the same in 1962 when Down Beat refused to diagnose the origin of the sound. Now is the moment of truth: the chance for Bossa Nova to return and to be new once again and to be even more undecipherable and free with all the joy of time and space.

Vitor Paiva, translated by Kevin Lynch

Release em português

“Onde e como a bossa nova começou é relativamente sem importância”, dizia a revista Down Beat, em 1962. Que o público jazzófilo norte americano do fim dos anos 1950 tenha ficado assustado com aquele novo ritmo brasileiro, já era de se esperar. O curioso e imprevisível é perceber que ainda hoje, aqui, no lugar de origem desse ritmo, o como e por quê da Bossa Nova permaneça sem resposta definitiva. Mais de quarenta anos depois, Mariano Marovatto sublinha, com seu disco de estreia, tal irrelevância. Afinal, Aquele amor nem me fale, de Marovatto, é um disco de Bossa Nova.

No entanto, o enigma de se sentar em um banquinho com um violão em mãos, tantos anos após tantas coisas – o advento do Tropicalismo, os Beatles, o Punk, os anos 80, o Grunge, o mangue bit dos 90, a internet – e de ter estado imerso em todas essas frentes define o verdadeiro estilo de Mariano. Não por acaso, cada arranjo de cada canção do disco foi concebido e realizado por um ou vários músicos, conforme era gravado, através das próprias influências e sotaques musicais de cada um destes convidados.

E não foram poucos. Nada menos do que 31 músicos do melhor quilate participaram da execução e concepção deste disco, numa escalação que provavelmente não exclui quase nenhuma banda carioca: Além de Jonas Sá – co-produtor do trabalho, ao lado do próprio Mariano –, Moreno Veloso, Davi Moraes, Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado – os três da Banda Cê de Caetano Veloso -, Gustavo Benjão, Gabriel Bubu – baixista dos Los Hermanos -, Marcos Thanus, Bruno Medina – também dos Los Hermanos –, Vitor Paiva, Botika, Papel, Fabiano Ribeiro, Qinho, Alice Sant’Anna, Mariana Albuquerque, Antônia Adnet, Bernardo Palmeira, Daniel Macacchero, Rafael Cosme, Löis Lancaster – band leader do Zumbi do Mato –, Rodrigo Bartolo e Léo Monteiro – da dupla Duplexx –, Mauricio Pacheco – produtor e ex-Mulheres Que Dizem Sim –, entre outros.

Seu próprio Clube da Esquina particular. Mariano, além de apresentar e roteirizar o programa musical Segue o Som, na TV Brasil, é bacharel em literatura brasileira pela PUC-Rio. Fez mestrado sobre a novíssima poesia brasileira, faz atualmente doutorado também em poesia, já lançou dois livros – Primeiro Vôo (7Letras, 2006) e Amoramérica (7Letras, 2008), junto com o coletivo de poetas Os Sete Novos, que forma ao lado dos bisnetos do poeta Alphonsus de Guimaraens – e é o pesquisador responsável pela organização do acervo do poeta e letrista Cacaso, na Fundação Casa de Rui Barbosa.

Não é à toa que Aquele amor nem me fale seja um título tirado palavra por palavra de um poema de Oswald de Andrade. E a referência modernista antropofágica se justifica nas nove faixas que compõem o disco, como a improvável versão cool havaiana de Não tem Lua, sucesso de 1992 do grupo Asa de Águia, além de Teu, composta em parceria com Jonas Sá – um delicado duo vocal de Mariano e Jonas, num estilo bossa-novista híbrido, que também nos remete, no melhor dos sentidos, aos Paralamas do Sucesso. Um dos pontos altos do disco é a inesperada releitura de Não é por não falar, dos Titãs, em forma de samba de roda. Já na faixa Tanto, o clima solar confirma a veia pop de Mariano – feito um Herbert Vianna sob uma ressaca psicodélica, abandonando o reggae-rock pelo nylon da Bossa Nova. E a singela Pra ela confirma esse delírio mezzo bossa-nova-pop, mezzo psicodélico-cool como o caminho que Marovatto bem escolheu.

Para traduzir ao vivo as 9 faixas executadas por esses 31 músicos distintos, e algumas outras canções e versões não incluídas no disco, Mariano Marovatto convocou a Maravilha Contemporânea, sua banda de predileção que conta com a participação dos músicos Fabiano Ribeiro na bateria, Daniel Macacchero na guitarra, Mariana Albuquerque na voz e no baixo e da poeta Alice Sant’Anna cantando e tocando teclado. O disco será lançado em 2010 e promete dar início a uma série de shows, coroando essa bem vinda novidade no cenário carioca, que cada vez mais se renova, se transforma e se mistura, em uma amalgama de influências e sonoridades tão plurais quanto as canções de Aquele amor nem me fale.

A bossa nova já não era a mesma em 1962, quando a Down Beat se recusou a diagnosticar a origem daquele som. Agora é que são elas: é a chance da bossa nova voltar a ser nova, e mais ainda indecifrável, solta com todo prazer no tempo e espaço.

Vitor Paiva

O sonho era #1

reproduzir uma onda
numa cobertura bem grande
de um prédio.
onda com água do mar
espuma e tudo
gravar um video ou tirar foto
com um grupo de amigos
músicos tocando
e pegando jacaré na onda

tivemos problemas com a altura
do pedestal do microfone