
Category Archives: Falando em qualquer coisa
Sobre o show, por Ismar Tirelli Neto
Bom, de todos os resgates possíveis, vai o Marovatto e opta justo pelo gracioso: penso eu, semanas depois, tentando refazer o gig no Espaço Multifoco; o entusiasmo dos amigos, a leveza repassando, qualquer coisa de ondeante na voz das meninas (que saudade), esteando o booming tenor Marováttico, que arrebenta por sobre. Como se sabe, ele mora a quinze chineladas da praia. E essa proximidade estava bem lá, naquela noite, na Lapa. Também na sutilíssima malha das cordas, a mestria e suavidade do baixo, e por cima o teclado operando nostalgia frente aos olhos de todos; de todos os resgates possíveis, vai o Marovatto e escolhe as tardes de sol brando, os passeios pela Orla, o manejo da palavra mínima que tanto remete à bossa nova. Sim, estamos no território do amor, do sorriso, da (pequena) flor – estamos no domínio daquela mesma elegância des-esforçada, que faz o instrumental mais intricado parecer inevitável, necessário mesmo ao andamento da coisa, algo que somente se atualiza e pronto, existe, como se já existisse desde sempre. Porque já não é mais uma questão de mostrar serviço, certo, malta? É outra coisa – é produzir beleza – uma oferta “simples”, mas que nos escapa um pouco em termos geracionais. O manejo da palavra mínima é também o manejo da palavra exata, cinzelada. Os instrumentos se bicam o tempo inteiro, procurando brechas onde soar um no caminho do outro, justamente para criar essa ausência de complicação. Você leva o seu bem para passear na orla e (espero) não pensa em como se conjugaram os elementos da paisagem. Não, ela está lá. Paisando. Inteira como as canções.
É preciso fazer por onde e aproveitar.
O sonho era #1
reproduzir uma onda
numa cobertura bem grande
de um prédio.
onda com água do mar
espuma e tudo
gravar um video ou tirar foto
com um grupo de amigos
músicos tocando
e pegando jacaré na onda
tivemos problemas com a altura
do pedestal do microfone
Caledônia sink
Durante muito tempo, aliás, desde pequeno, sete oito anos, eu sonhava com a Nova Caledônia. Ficava, com meu irmão, desenhando as bandeiras de todos os países, decorando as capitais da Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. Porém, me intrigava muito aquela porção de terra perto da Austrália e da nova Zelândia, chamada Nova Caledônia, cujas informações eram bastante precárias no Atlas. Fiquei sabendo através de meu pai que se tratava de um protetorado francês na Oceania. Ficava frustrado, pois queria muito descobrir como se desenhava sua bandeira. Como não sabia, inventava. A melhor que desenhei era uma bem laranja que tinha uma pequena bandeira francesa no canto superior esquerdo, imitando o modelo australiano e sua bandeira britânica. Inventei também, nome de presidente, capital, moeda corrente – essas informações básicas sobre países, disponibilizadas no Atlas – que hoje evidentemente não recordo mais.
O tempo passou e o mistério neocaledônio ficou adormecido na minha cabeça até poucos anos atrás quando o Google Earth o despertou novamente. Lembro que passei duas madrugadas inteiras “sobrevoando” Nouméa e todos os recantos das ilhas, ouvindo as Landscapes do John Cage e compondo, vagarosamente esses três pequenos poemas, que foram batizados de Caledônia Cage.
Os poemas publiquei em 2007 em papel junto com outro poema, O Sonho de Diana Valentina, com a ajuda do Felipe Kaizer e do Leon Vilhena. Depois, a Flora Bonfanti traduziu por francês e foi parar numa revista eletrônica de Paris, chamada Lampe-tempête. Ainda no mesmo ano, foi publicado novamente na revista de ciência e poesia Geologia para Poetas, graças a Maria Dolores Wanderley.
Não satisfeito, ainda fiz uma faixa sonora (que termo é esse?) com Bruna Beber recitando os poemas comigo, Ricardo Dias Gomes tocando teclado e o mar do Leblon batendo no fundo. O áudio dessa experiência acabou virando um vídeo-poema do Leon Vilhena e acabou sendo finalista (ou quase isso) da Fliporto do ano passado.
Depois de tanta Nova Caledônia nessa vida, resolvi escrever uma carta para a própria Nova Caledônia, dizendo que amo muito ela. Fiz um texto bem bonito, contando tudo isso aqui, traduzi para o francês (não eu, mas uma tradutora) e fiquei um bom tempo procurando leitores possíveis neocaledônios na internet: escritores, professores, músicos, artistas, etc, num total de 25 pessoas possivelmente receptíveis e sensíveis ao meu e-mail. Depois de muito hesitar, meses e meses com o texto em francês pronto no meu computador, enviei!
Passou um, dois, três dias e no quarto chegou uma resposta de um romancista que dizia mais ou menos assim: “Olá sou francês, não entendo muito música, nem curto poesia. Meu lance é romance noir. Mas de qualquer forma boa sorte!” Claro que não foi a seco assim, teve toda a decoração de palavras em francês que fez do e-mail do cara algo super polido, oficial e importante. E foi tudo. Essa foi a única resposta. Ao longo dos dias vi meu sonho de criança de ser recebido como um rei naquela ilha da Oceania, sendo engolido tsunami (que bela metáfora) abaixo. E lá se foi mais uma paixão platônica. Esse foi o meu ano da França no Brasil, so far. Paris que me aguarde.
Bailando e rodando

E quem não for hoje na Travessa de Ipanema vai no mínimo apanhar segunda-feira na hora do recreio. Bruna Beber vai lançar seu Balé na pista e prometeu que hoje todo mundo vai lamber o chão e rolar no lixo. Ou seja, pura poesia. Eu, Amaury Jr., feliz portador do exemplar número zero da Filha Sem Fim dos Demonho Disco Dance, primeiro livro da Bruninha, estarei lá e bailando.
Open house
A cerveja é no Twitter (mas ainda tá quente)
os salgadinhos tão no Flickr.
A pista é ali nos 90’s
mas tem gente no myspace também
os amiguinhos chegaram já, tão nos sete novos
e o dono da casa sou eu, prazer.








