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		<title>Pedinte</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 02:50:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrever é juntar
um tanto de certezas na cabeça
pra detalhar depois
Deve-se fazer então
bom uso dos livros,
não esquecer que anotações
são importantes
pois ninguém sabe ler cérebro depois que ele morre
Mas e esse domingo de chuvinha miúda
a preocupação com o cuspe na pia, feito de sangue
a cefaléia e esse mosquito
que não deixa o povo dormir
Jesus
Toda ironia do Machado
tem um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrever é juntar<br />
um tanto de certezas na cabeça<br />
pra detalhar depois</p>
<p>Deve-se fazer então<br />
bom uso dos livros,<br />
não esquecer que anotações<br />
são importantes<br />
pois ninguém sabe ler cérebro depois que ele morre</p>
<p>Mas e esse domingo de chuvinha miúda<br />
a preocupação com o cuspe na pia, feito de sangue<br />
a cefaléia e esse mosquito<br />
que não deixa o povo dormir<br />
Jesus</p>
<p>Toda ironia do Machado<br />
tem um por quê?<br />
Dona Carolina, Dona Coralina<br />
me ensina a viver! </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Árvores/Carnaval</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 03:32:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Download]]></category>

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		<description><![CDATA[Aí, segunda de carnaval três horas da manhã, estava tocando violão e me saiu uma canção de carnaval que também é sobre árvores. Porque depois de passar mais de um mês fora do país, na volta, você se dá conta de que existem muitas árvores no Rio de Janeiro, inclusive durante o carnaval. No dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aí, segunda de carnaval três horas da manhã, estava tocando violão e me saiu uma canção de carnaval que também é sobre árvores. Porque depois de passar mais de um mês fora do país, na volta, você se dá conta de que existem muitas árvores no Rio de Janeiro, inclusive durante o carnaval. No dia seguinte a letra não fazia o menor sentido e provocava risos na Alice. Mas pensando mais um pouco, quase me conformando de que realmente deveria refazer a letra, me lembrei que já existia uma canção sobre carnaval e árvores. Arnaldo Antunes:</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zOepbP-H0-o&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/zOepbP-H0-o&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Muito feliz pela influência inconsciente que sofri durante a madrugada, resolvi assumir a canção tal como foi feita e, claro, disponibilizar aqui para manter a tradição de singles carnavalescos, iniciada ano passado. Como dizem os mais inteligentes, a minha música é &#8220;d&#8217;aprés Arnaldo Antunes&#8221;. Tudo sem querer, respondi sem ser perguntado. A versão tem o charme das versões demo e foi muito bem gravada pelo aplicativo de gravação do celular. É só clicar com o botão direito no título em vermelho abaixo e salvar no seu ITunes.</p>
<p><a href="http://www.marovatto.org/musica/arvores_Carnaval%20(demo).mp3">Árvores/Carnaval</a></p>
<p>Se esse é meu carnaval<br />
carnaval pra que?</p>
<p>Árvores e o amor total<br />
Árvores por que?<br />
Árvores pra que?</p>
<p>Árvores, árvores<br />
no carnaval</p>
]]></content:encoded>
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		<title>E a bossa nova?</title>
		<link>http://www.marovatto.org/e-a-bossa-nova/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 03:25:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aquele amor nem me fale]]></category>
		<category><![CDATA[Teoricamente falando]]></category>

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		<description><![CDATA[Na ancestralidade do meu disco, antes mesmo dele pensar em existir da maneira como foi feito – debaixo da sombra da bossa nova (sombra boa pra recostar, não uma sombra sombria) – tive uma idéia que, lendo hoje, acho que é parte do DNA de Aquele amor nem me fale. Trata-se de uma monografia sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na ancestralidade do meu disco, antes mesmo dele pensar em existir da maneira como foi feito – debaixo da sombra da bossa nova (sombra boa pra recostar, não uma sombra sombria) – tive uma idéia que, lendo hoje, acho que é parte do DNA de <em>Aquele amor nem me fale</em>. Trata-se de uma monografia sobre Bossa Nova escrita em julho de 2005 para a aula de Literatura e Música, ministrada pelos meus professores Julio Diniz e Santuza Cambraia Naves, lá na pós-graduação da Faculdade de Letras da PUC aqui do Rio. O texto todo eu acho bobo demais, mas o cerne dele é o que vale aqui: duas entrevistas, uma com Caetano Veloso e outra com Löis Lancaster. Os dois respondendo as mesmas perguntas sobre Bossa Nova. As perguntas feitas por mim são um nojo, principalmente às feitas ao Caetano, mas as respostas são, obviamente, ótimas. </p>
<p>Graças a este trabalho de fim de curso, mostrei pro Caetano Veloso os discos do Zumbi do Mato. É bem verdade que só consegui fazê-lo meses, talvez anos depois, o que me fez ouvir da boca do baiano um “Marovatto você é um incompetente” maravilhosamente inesquecível. Não sei ainda o que ele achou do Zumbi. Ricardo Dias Gomes, que toca com Caetano e que tocou com Löis, disse que ele pirou ao escutar “Maconha grátis”. Outra nota importante da entrevista: ambos citam Jorge Vercilo, e falam bem dele. Anos depois, Löis gravou brilhantemente seu mal-educado trombone numa das faixas do meu disco. Caetano está muito bem representado, não só pela angústia da influência, mas também sonoramente, por sua Banda Cê, e geneticamente, por Moreno Veloso, que tocam em outras duas faixas. As conclusões sobre a &#8220;influência&#8221; dessa entrevista sobre a sonoridade do meu disco só serão alcançadas quando você que lê, ouvir o disco. Isso vai acontecer daqui à pouco, quando o disco sair. Vamos ao que interessa agora:</p>
<p><strong>ENTREVISTA COM LÖIS</strong> </p>
<p>1. Löis Lancaster a seu ver, qual a importância da Bossa Nova para a música brasileira?</p>
<p>Depende. O que é a música brasileira? Se for o que ficou pra posteridade e que por isso acabou influenciando meio mundo de quem compõe no Brasil, é evidente que a Bossa é muito importante. Influenciou muitos compositores, e continuará influenciando, pois foi (e é) um fenômeno de mídia e de massa, talvez o mais<br />
reconhecido fora do país. Mas não acho um fenômeno que acrescente tanto de singular à nossa música.</p>
<p>Por exemplo: nenhum quadro do Leonardo da Vinci ficou tão conhecido como a Monalisa. E apenas por isso Duchamp pintou bigodes nela. Se o mais popular quadro de da Vinci tivesse sido o de um padeiro calabrês, provavelmente o Duchamp teria pintado um batão na boca do padeiro. Qual a importância intrínseca de ter<br />
sido logo a Monalisa, além do lastro de posteridade que ela possui?</p>
<p>Penso da mesma maneira em relação à Bossa Nova: pra mim não há muito que ela tenha trazido de mudança para a música e que não mudaria por outros meios, talvez até com mais inventividade. A questão da nova forma de cantar, sem impostação radiofônica, por exemplo, a meu ver é mais credora do avanço da<br />
tecnologia de captação de som nos microfones do que da Bossa. A harmonia jazzística no samba também era só uma questão de tempo, depois que o fusion de Chick Corea consolidou no hemisfério norte o chamado &#8220;jazz-rock&#8221;. De uma forma muito mais sanguínea do que a burocracia de um Tom Jobim, por exemplo.</p>
<p>Ou seja, é claro que ela é importante, e não se pode falar na história da nossa música sem passarmos pela bossa. Mas considero-a mais importante que interessante &#8211; essa é a diferença. Se considerarmos &#8220;música brasileira&#8221; o que há de interessante no que foi produzido no Brasil, eu não incluiria quase nada da Bossa Nova nessa categoria.</p>
<p>2. Você se lembra da primeira vez que ouviu uma bossa? Como foi essa experiência?</p>
<p>Não lembro. Lembro que cantava &#8220;Chega de Saudade&#8221; quando era pequeno, e os adultos diziam que eu era só uma criança e não deveria cantar coisas tão tristes. Acho que conheci a Bossa da mesma forma que conheci Oswaldo Montenegro: com pessoas próximas tocando no violão e cantando, não através de<br />
um registro fonográfico. E ao contrário do Oswaldo, cujas composições se potencializam nesse formato &#8220;menestrel guerreiro&#8221;, a Bossa me pareceu aquelas coisas tipo &#8220;Felicidade foi embora&#8221; do Lupiscínio, ou músicas do Caymmi: &#8220;easy-listening&#8221;. Não tinha o apuro técnico do vocal, porque eram pessoas como<br />
eu que estavam cantando e não havia microfone pra captar; eu não sacava de harmonia pra apreciar as modulações. Então pra mim não teve nada demais. Só foi me dar o estalo do samba muito tempo depois, eu devia ter 14 anos, quando ouvi &#8220;Construção&#8221;, do Chico. Furei o disco. &#8220;Deus Lhe Pague&#8221;, &#8220;Desalento&#8221;, &#8220;Acalanto&#8221;&#8230; Havia um vigor sombrio (eu chamo de &#8220;vigor mortis&#8221;, um encontro musical com a finitude) naquilo, não era &#8220;Barquinho&#8221;. Nelson Cavaquinho, com &#8220;Juízo Final&#8221;, também&#8230; Essas coisas são porrada. Música escrita com sangue. Aí eu passei a respeitar o samba.</p>
<p>3. Me fale de sua trajetória musical, suas influências. Porque resolveu fazer música?</p>
<p>Eu sempre tive um pensamento que considerava muito matemático, aí entrei pro CEFET e vi que não era tanto a abstração da matemática que me fascinava, mas uma abstração mais imanente, mais próxima de uma prática, que você só encontra na música. Paralelamente, eu adorava o rock de Brasília, principalmente o Plebe Rude, com aquela coisa das vozes superpostas cantando coisas diferentes. Também Legião, e Biquini Cavadão (que no primeiro e segundo discos tinham um apuro formal nos arranjos que nenhuma outra banda da época apresentava) eram minhas inspirações. Isso com 13 anos. Eu resolvi aprender a tocar baixo. Isso porque na sétima série tínhamos um sonho de montar uma banda, eu e uns amigos. O Felipe já tocava violão, então ficaria de guitarra base. O Marcelo queria a bateria. Sobrou pra mim o baixo. E eu também gostei, era o instrumento menos &#8220;óbvio&#8221; (aliás, hoje em dia nada me causa mais nojo que o White Stripes, com essa estratégia de marketing de só ter os instrumentos-ícones do rock, as cores da coca-cola, um garoto e uma garota&#8230; perfeito pra ganhar muito dinheiro, né? Sou mais o Primus, onde tem um feião narigudo meio fanho tocando um baixo que faz tudo.), e eu fui o único que seguiu a sério no processo, comecei a tomar<br />
aula do instrumento na extinta Casa Milton da Tijuca, e tentei montar bandas. Paralelamente eu ia gostando cada vez mais de coisas complexas ritmicamente. A sequência foi mais ou menos:</p>
<p>Cure e os góticos<br />
Rush<br />
Yes/Genesis<br />
Jethro Tull<br />
Gentle Giant/ King Crimson<br />
Arrigo Barnabé/ Frank Zappa</p>
<p>4. A bossa nova influenciou a sua música?</p>
<p>Não. Ela foi &#8220;intercessora&#8221; em algumas músicas. Há uma diferença entre influenciar, deixar uma marca indelével na gênese do seu pensar a música, de modo que qualquer um que ouvir meu som vai dizer &#8220;tem bossa aí&#8221;, e, de outra forma, volta e meia pensar num tema e achar que tem a ver desenvolver ele como<br />
uma bossa, ou como um blues. É isso que eu faço. Blues, por exemplo, eu acho mais chato do que bossa, mas adorei um poema do Ricardo Gramos chamado &#8220;Indigno Blues&#8221;. Aí tinha que ser um blues, né? Acho que é até uma &#8220;desancada&#8221; no Blues. Eu tentei colocar coisas que considero interessantes nessa música, e é como se eu estivesse falando pro ouvinte &#8220;olha como seria o blues pra mim se fosse bom&#8221;. Mais ou menos a mesma coisa com a Bossa. Com a diferença de que a bossa que eu faço fica com mais cara de bossa que o blues! Isso deve querer dizer que eu respeito mais a bossa. <img src='http://www.marovatto.org/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>5. Como você enxerga a bossa nova num projeto como o Zumbi do Mato?</p>
<p>Seguindo a mesma linha de pensamento, sendo que com o Zumbi a meta da intercessão geralmente é o humor. Se ficar engraçado tal música ser uma bossa, ou ter elementos da bossa, usemos a bossa. Mas não é influência, de forma alguma. </p>
<p>6. Que possível caminho podemos trilhar na música brasileira, desde os anos 50, evitando a bossa nova?</p>
<p>Hahaha isso é um projeto muito reativo. Mas vejamos: O primeiro disco do Gil, com &#8220;Louvação&#8221;, não era bossa, tinha mais baião, raízes nordestinas. Os Mutantes, Arnaldo Baptista, Walter Franco, Hermeto Paschoal (desde o Quarteto Novo), que foi muito mais criativo nos caminhos &#8220;jazzísticos&#8221; que qualquer fusão patrocinada pela Bossa. Depois Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Grupo Rumo. Esses três me influenciaram, e não têm bossa no sangue. O Rumo tem canção popular, não bossa. Talvez tenha partido do mesmo ponto que a bossa, com mais inventividade, e o resultado é MUITO melhor. O que a Tropicália trouxe de<br />
melhor tem a ver com a psicodelia e o experimentalismo timbrístico, coisas que só remotamente podem ser relacionadas com a Bossa Nova. A epítome da Tropicália não é bossa, é Tom Zé.</p>
<p>7. Se fosses o Nostradamus e a Bossa não existisse, como seria a música brasileira? O que Caetano estaria fazendo por exemplo?</p>
<p>Hahaha isso é complicado. Não dá pra substituir as incompossibilidades do mundo real pela pobre racionalidade da minha cabeça. Vai sair um esquema muito pobre. Mas acho que o Caetano hoje em dia estaria reprocessando músicas pop americanas como &#8220;Billie Jean&#8221; e &#8220;Come as You Are&#8221;, por exemplo&#8230; EPA! Mas ele ESTÁ fazendo isso!! Hehehe >:)</p>
<p>Mas sério. O primeiro disco do Caetano com a Gal, é uma vergonha. Gal querendo ser Nara Leão, Caetano querendo ser João Gilberto. Quem começou assim nunca larga essa vontade de &#8220;acompanhar a onda&#8221;.</p>
<p>8. Qual seria o seu projeto ideal para uma nova leitura da musica brasileira? Para onde você gostaria de levá-la?</p>
<p>Pra onde estou levando, acho: para minhas composições, que têm influência de todo esse pessoal que citei na resposta à pergunta seis. Para meu Grupo Século. Gostaria que todos fizessem a música que querem ouvir. Porque essa é a reclamação produtiva, a meu ver: não adianta esperar surgir, e fazer elucubrações apenas. Eu seria muito infeliz se não tivesse essa veia composicional. Mas tenho, então considero minha obrigação fazer coisas que gostaria de ouvir. Até como um tributo a essas pessoas que admiro, e que são<br />
tão pouco reconhecidas. E mesmo as que são muito reconhecidas, eu não vejo as pessoas falarem &#8220;caramba, viu como o ritmo daquela música do Jorge Vercilo é interessante?&#8221; (e eu acho mesmo, ele tem uma música com estrutura de três compassos 4/4 por vez &#8211; aquela &#8220;Eu quero ver o invisível&#8230; prever o que está<br />
no ar&#8230;&#8221;).</p>
<p>9. Qual a semelhança entre Caetano Veloso e Löis Lancaster?</p>
<p>Acho que ambos gostam de fusão entre as artes, ambos expõem veementemente suas opiniões (e gostam de ter opiniões sobre qualquer coisa), ambos são curiosos em relação a todo tipo de conhecimento, ambos remam contra certas marés, que escolhem por antecipação, e a favor de outras.</p>
<p>10. Löis Lancaster gostaria de estar na mídia atingindo do publico A ao D?</p>
<p>Sim, se pra isso não tivesse de abrir mão de controle total sobre o que chega a esse público. Não digo &#8220;controle total&#8221; no sentido de ser exatamente o que quero fazer, porque muitas vezes eu não tenho essa idéia previamente à composição em si, mas no sentido de que pessoas de fora, com interesses de<br />
valoração para troca, também não façam direcionamentos prévios. Como sei que isso é uma utopia, uma ilusão, nem penso muito nela.</p>
<p>11. Como seria um disco do Zumbi do Mato arranjado por Jaques Morelembaum? </p>
<p>Não seria um disco do Zumbi. O Zumbi é seu processo de criação, e uma das melhores coisas do rock (em contraposição à MPB em geral, não só à Bossa-Nova) é que a composição, sendo coletiva, pela banda, é praticamente indissociável do arranjo dessa composição.</p>
<p>Isso tem a ver com uma teoria que venho desenvolvendo sobre as diferenças entre como se pensa a autoria de canções no &#8220;padrão rock/erudito&#8221; e no &#8220;padrão jazz/mpb&#8221;. No primeiro:</p>
<p>- Arranjo e composição são indissociáveis;<br />
- Linhas como a de baixo e percussão são tão importantes quanto a harmonia cifrável e a melodia vocal;<br />
- A expressividade no palco não se concentra exclusivamente em torno do &#8220;crooner&#8221; ou do instrumento solista principal, na ausência deste.<br />
- O registro autoral adequado é, como nos estado-zunidos, por fonograma &#8211; tudo que está gravado é a música registrada.</p>
<p>No segundo:</p>
<p>- Composição é a linha vocal ou do instrumento solista (que desempenha o &#8220;tema&#8221;) e a grade harmônica, o resto é arranjo, que deve ser executado por profissionais competentes &#8211; daí a panelinha que sempre se reúne em volta de shows dos &#8220;grandes intérpretes&#8221; de MPB: Nivaldo Ornelas, Mauro Senise, Carlos<br />
Malta, Robertinho Silva etc&#8230;<br />
- O registro autoral, a exemplo do que é na França e no Brasil, é só da linha melódica e das cifras, por papel.</p>
<p>É claro que esses são modelos estanques, nada é exatamente de uma forma ou de outra. Mas o que eu busco é justamente quebrar esses padrões em minhas composições e apresentações.</p>
<p><strong>FIM DA ENTREVISTA COM LÖIS / INÍCIO DA ENTREVISTA COM CAETANO</strong></p>
<p>1. Caetano qual a importância da Bossa Nova para a música brasileira? A que dela somos devedores, se existir algum tipo de divida?</p>
<p>R.- A bossa nova foi um divisor de águas. A radicalidade de João Gilberto deu outro sentido ao encontro de Tom com Vinicius. O que saiu dali lançou luz sobre o passado e sobre o futuro da música popular no Brasil. De certa forma, pode-se dizer que devemos tudo à bossa nova.</p>
<p>2. Você se lembra da primeira vez que ouviu a bossa nova? Como foi essa experiência? </p>
<p>R. &#8211; Lembro claramente. Foi em 1959, em Santo Amaro.Um colega de ginásio me disse que havia um cantor que cantava tudo desafinado, que era uma coisa totalmente diferente: ele achava que me agradaria porque, segundo ele, eu gostava de coisas loucas. Me levou para ouvir um disco de João Gilberto no salão do Clube Irapuru Fiquei extasiado. Não era desafinado: era moderno e desafiador, além de ser profundo e sensível.</p>
<p>3. Até que ponto a bossa nova influenciou a sua música?</p>
<p>R. &#8211; O que se deu foi algo aquém e além de uma influência: foi uma iluminação. Desde a infância eu adorava canções, mas passei a levar o assunto a sério.Achei que nossa vida, o Brasil, tudo estava assumindo novas responsabilidades. Digo que foi também algo aquém de uma influência porque nunca me senti à altura de ser musicalmente influenciado pelo trabalho de João  Gilberto e Jobim. Não sou musical o suficiente. Mas eles me influenciaram para além da música: se eu fosse engenheiro, ainda assim as minhas obras teriam a marca da passagem deles por minha vida.</p>
<p>4. Como você enxerga a bossa nova, sua influencia na musica brasileira que é  feita hoje? </p>
<p>R. &#8211; Não há um só cancionista da minha geração que não se refira de uma forma ou de outra à bossa nova, em especial a João Gilberto. E as gerações que se seguiram devem sua visão de mundo a esse fato. Mesmo aqueles que rejeitam, recusam ou desprezam a bossa nova, sabem que esses mesmos desprezo, rejeição e<br />
recusa são seu modo de referir-se a ela. Mas ela está mais freqüentemente é presente de forma afirmada em tudo o que se faz: de Roberto Carlos às baterias das escolas de samba, de Rita Lee a Milton Nascimento, da &#8220;bossa nova e rock&#8217;n'roll&#8221; de Cazuza à BossaCucaNova e a todas as variações de drum&#8217;n'bossa; de Jorge Ben a Sérgio Ricardo; de Paula Toller a Guinga; do samba-jazz aos Novos Baianos; de João Nogueira a Dado Villa Lobos.</p>
<p>5. É possível trilhar algum caminho na música brasileira, a partir os anos 50, evitando a bossa nova? </p>
<p>R. &#8211; Nada é impossível. Mas o movimento de &#8220;evitar a bossa nova&#8221; definirá um estilo e uma atitude. Portanto, será sempre a bossa nova atuando, mesmo que pelo avesso.</p>
<p>6. Se a Bossa simplesmente não existisse, como seria a música brasileira? Que tipo de musica você estaria fazendo?</p>
<p>R. &#8211; Não posso conceber tal hipótese. </p>
<p>7. Até que ponto o tropicalismo pode ser lido como uma iconoclastia ou como um servo da bossa nova?</p>
<p>R. &#8211; O tropicalismo fez tudo o que a bossa nova se recusava a fazer. Fez tudo ao contrário da bossa nova. Mas essa era a sua forma de servir a ela. Era preciso reafirmar o aspecto renovador e desafiador do momento heróico do surgimento de João Gilberto. E minha geração, que era a imediatamente seguinte à dos<br />
fundadores da bossa nova, estava mais dedicada a diluir, defender ou reafirmar suas conquistas. Foi por amor à radicalidade de João Gilberto que nós nos voltamos para o brega, para o rock, para o experimental, e criamos colagens cubistas em vez de peças harmonicamente coerentes. Os bossanovistas da nossa idade odiaram; os fundadores calaram-se. Só João Gilberto aprovou. E o fez de público. </p>
<p>8. Te agrada os rumos que vai tomando a música brasileira feita hoje?</p>
<p>R. &#8211; Às vezes mais, às vezes menos. Eu sempre gostei das canções brasileiras e acho que continuamos demonstrando talento nesse campo. Há os fenômenos comerciais de grande pujança, como a axé musica, a música sertaneja, o pagode paulista. Há o funk carioca, que é um outro tipo de fenômeno comercial. Há a vanguarda pernambucana. Há a densa poesia rap dos Racionais e a lucidez de MV Bill. Há o evidente sintoma de domínio dos meios em gente como a turma que primeiro se reuniu na gravadora Trama; como também em figuras como Jorge Vercilo, que é o Nelson Gonçalves do Djavan .Tivemos uma primeira grande geração rock nos anos 80 que segue criando. Há requintes como Moreno, Domênico e Kassin , e escrachos chiques como Carne de Segunda. Há essas canções incríveis de Rubinho. Há Los Hermanos e Maria Rita. Há toda a harmonia de Minas gerais que tem o Sepultura por avesso. Há Marisa Monte e Arnaldo Antunes colaborando com Carlinhos Brown. Há mil coisas que não lembrei de mencionar aqui. Ainda assim, muitas vezes ouço rádios especializadas no que se convencionou chamar MPB e sinto um bafo de provincianismo e parece que falta vitalidade. Tenho vontade de fazer coisas muito diferentes das que consegui fazer até aqui.</p>
<p>9. Para onde você gostaria de levá-la? </p>
<p>R. &#8211; Para si mesma. Para onde não seja possível que algo disperse suas forças.</p>
<p>10. Pra finalizar uma pergunta estranha: você conhece o som do Zumbi do Mato? Se sim quais suas impressões? </p>
<p>R. &#8211; Não. Vou procurar ouvir logo pois o fato de você fazer essa pergunta sugere tratar-se de algo capaz de gerar novas decisões.</p>
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		<title>Foi o mordomo</title>
		<link>http://www.marovatto.org/foiomordomo/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 20:08:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Maravilha Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Paralamas do Sucesso são Os Paralamas do Sucesso são Os Paralamas do Sucesso. E eu gosto muito deles. Espero que eles tenham gostado desse pequeno brinde ofertado por mim e pela Maravilha Contemporânea. A Mari &#8211; Mariana Albuquerque, baixista &#8211; infelizmente não pôde ir no dia da gravação, mas não por isso ela goste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Paralamas do Sucesso são Os Paralamas do Sucesso são Os Paralamas do Sucesso. E eu gosto muito deles. Espero que eles tenham gostado desse pequeno brinde ofertado por mim e pela Maravilha Contemporânea. A Mari &#8211; Mariana Albuquerque, baixista &#8211; infelizmente não pôde ir no dia da gravação, mas não por isso ela goste menos dos Paralamas que todos nós que fizemos. Nós somos: Eu, Daniel e Fabiano + Domingos, Jô, Raïssa e Phil. E muito obrigado ao Bernardo e ao Bruno do site dos Paralamas, pela força e ao Fernando e a galera da edição da produtora Angry Man (é assim que é o nome?) por ter ajudado a gente aos 42 do segundo tempo!</p>
<p><!-- video --><br />
<object width="390" height="315"><embed width="390" height="315" allowfullscreen="true" wmode="window" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=367203&#038;start_loading=false&#038;start_paused=true" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash"></embed></object><!-- /video --> </p>
<p>Aqui, uma pequena pirataria, na verdade um bootleg, como diriam os anglo-saxões. Dois mp3s pra baixar. O primeiro é a versão que eu fiz sozinho, antes, com violão e tocador de fita K7. O segundo é a versão ao vivo, como está no video, com Daniel no lap steel e Fabiano no vaso brincando de emulador de Intellivision no laptop.</p>
<p><a href="http://www.marovatto.org/arquivos/foiomordomo-solo.mp3">Foi o mordomo (versão solo)</a><br />
<a href="http://www.marovatto.org/arquivos/foiomordomo.mp3">Foi o mordomo (versão do video)</a></p>
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		<title>Caledônia sink</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 22:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Falando em qualquer coisa]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante muito tempo, aliás, desde pequeno, sete oito anos, eu sonhava com a Nova Caledônia. Ficava, com meu irmão, desenhando as bandeiras de todos os países, decorando as capitais da Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. Porém, me intrigava muito aquela porção de terra perto da Austrália e da nova Zelândia, chamada Nova Caledônia, cujas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante muito tempo, aliás, desde pequeno, sete oito anos, eu sonhava com a Nova Caledônia. Ficava, com meu irmão, desenhando as bandeiras de todos os países, decorando as capitais da Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. Porém, me intrigava muito aquela porção de terra perto da Austrália e da nova Zelândia, chamada Nova Caledônia, cujas informações eram bastante precárias no Atlas. Fiquei sabendo através de meu pai que se tratava de um protetorado francês na Oceania. Ficava frustrado, pois queria muito descobrir como se desenhava sua bandeira. Como não sabia, inventava. A melhor que desenhei era uma bem laranja que tinha uma pequena bandeira francesa no canto superior esquerdo, imitando o modelo australiano e sua bandeira britânica. Inventei também, nome de presidente, capital, moeda corrente – essas informações básicas sobre países, disponibilizadas no Atlas – que hoje evidentemente não recordo mais.</p>
<p>O tempo passou e o mistério neocaledônio ficou adormecido na minha cabeça até poucos anos atrás quando o Google Earth o despertou novamente. Lembro que passei duas madrugadas inteiras “sobrevoando” Nouméa e todos os recantos das ilhas, ouvindo as Landscapes do John Cage e compondo, vagarosamente esses três pequenos poemas, que foram batizados de Caledônia Cage.</p>
<p>Os poemas publiquei em 2007 em papel junto com outro poema, O Sonho de Diana Valentina, com a ajuda do <a href="http://www.felipekaizer.com/index.php?/editorial/diana--caledonia/">Felipe Kaizer </a>e do Leon Vilhena. Depois, a Flora Bonfanti traduziu por francês e foi parar numa revista eletrônica de Paris, chamada <a href="http://www.lampe-tempete.fr/CALEDONIA.html">Lampe-tempête</a>. Ainda no mesmo ano, foi publicado novamente na revista de ciência e poesia <a href="http://www.casadaciencia.ufrj.br/CienciaParaPoetas/geologiaii/geologiaparapoetasii_if.html">Geologia para Poetas</a>, graças a Maria Dolores Wanderley. </p>
<p>Não satisfeito, ainda fiz uma faixa sonora (que termo é esse?) com Bruna Beber recitando os poemas comigo, Ricardo Dias Gomes tocando teclado e o mar do Leblon batendo no fundo. O áudio dessa experiência acabou virando um vídeo-poema do Leon Vilhena e acabou sendo finalista (ou quase isso) da Fliporto do ano passado.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pUDjhoSeKXM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/pUDjhoSeKXM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Depois de tanta Nova Caledônia nessa vida, resolvi escrever uma carta para a própria Nova Caledônia, dizendo que amo muito ela. Fiz um texto bem bonito, contando tudo isso aqui, traduzi para o francês (não eu, mas uma tradutora) e fiquei um bom tempo procurando leitores possíveis neocaledônios na internet: escritores, professores, músicos, artistas, etc, num total de 25 pessoas possivelmente receptíveis e sensíveis ao meu e-mail. Depois de muito hesitar, meses e meses com o texto em francês pronto no meu computador, enviei!</p>
<p>Passou um, dois, três dias e no quarto chegou uma resposta de um romancista que dizia mais ou menos assim: “Olá sou francês, não entendo muito música, nem curto poesia. Meu lance é romance noir. Mas de qualquer forma boa sorte!” Claro que não foi a seco assim, teve toda a decoração de palavras em francês que fez do e-mail do cara algo super polido, oficial e importante. E foi tudo. Essa foi a única resposta. Ao longo dos dias vi meu sonho de criança de ser recebido como um rei naquela ilha da Oceania, sendo engolido tsunami (que bela metáfora) abaixo. E lá se foi mais uma paixão platônica. Esse foi o meu ano da França no Brasil, so far. Paris que me aguarde.</p>
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		<title>Maravilha Contemporânea no Oi Novo Som</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 21:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maravilha Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Botões

Apenas um

Tenha um bom dia

Let me roll it

Pequena flor

Tanto

Eu acho que estou perdendo você

Teu

Volta por cima

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Botões</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-OpIejkONRk&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/-OpIejkONRk&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Apenas um</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Vw6uIUiCgeY&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Vw6uIUiCgeY&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Tenha um bom dia</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/y_mGb-oTRT4&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/y_mGb-oTRT4&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Let me roll it</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8kO_KAeqVyw&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/8kO_KAeqVyw&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Pequena flor</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XMjhdtNXaCE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/XMjhdtNXaCE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Tanto</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JPURfUy4CRo&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/JPURfUy4CRo&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Eu acho que estou perdendo você</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4_hPqAaAbEA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/4_hPqAaAbEA&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Teu</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZRkIOCS16GE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ZRkIOCS16GE&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
<p>Volta por cima</p>
<p><object width="445" height="364"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KLuwRblaBPg&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/KLuwRblaBPg&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"></embed></object></p>
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		<title>No Oi Novo Som</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 01:26:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Maravilha Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[


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<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_185" class="wp-caption aligncenter" >
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-185" title="No Oi Novo Som!" src="http://www.marovatto.org/wp-content/uploads/2009/10/marovattooi2.jpg" alt="No Oi Novo Som!"  /></p>
</dt>
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		<title>Hvile</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 05:55:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero você anti-hiperbólica
mamífero xenartro da família
dos bradipodídeos
numa noite de braços abertos
sem maiores estardalhaços
na finitude iminente, não menos fecunda
que a nossa idéia romântica
de infinito.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quero você anti-hiperbólica<br />
mamífero xenartro da família<br />
dos bradipodídeos<br />
numa noite de braços abertos<br />
sem maiores estardalhaços<br />
na finitude iminente, não menos fecunda<br />
que a nossa idéia romântica<br />
de infinito.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O domingo mais triste dos últimos anos</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 05:54:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Moro num quarto e sala
cuja metade está
ocupada por Benito di Paula
e seu piano de cauda. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moro num quarto e sala<br />
cuja metade está<br />
ocupada por Benito di Paula<br />
e seu piano de cauda. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mário de Andrade já sabia</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 21:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariano Marovatto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Teoricamente falando]]></category>
		<category><![CDATA[The Sound Club]]></category>

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		<description><![CDATA[Mário de Andrade, dicionário e telecurso musical de qualquer escola de música brasileira, escreveu, pasmem, sobre o theremin:
&#8220;Também uma das importantes descobertas musicais da atualidade, o aparelho eletromagnético inventado pelo russo Theremin, parece profetizar a música como simples movimeto sonoro. Esse &#8220;instrumento de Ondas Etéreas&#8221;, cujos sons, em portamento constante (pelo menos por enquanto), são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mário de Andrade, dicionário e telecurso musical de qualquer escola de música brasileira, escreveu, pasmem, sobre o theremin:</p>
<p>&#8220;Também uma das importantes descobertas musicais da atualidade, o aparelho eletromagnético inventado pelo russo Theremin, parece profetizar a música como simples movimeto sonoro. Esse &#8220;instrumento de Ondas Etéreas&#8221;, cujos sons, em portamento constante (pelo menos por enquanto), são obtidos por movimentos da mão se aproximando ou se afastando dele, parece ter um futuro enorme, pois pode dar timbres variados, todas as intensidades e todas as gradações sonoras existentes dentro do intervalo de semitom. Causou impressão muito grande quando, imperfeito ainda, foi apresentado por Theremin nos centros musicais europeus. Hoje o instrumento de &#8220;ondas musicais&#8221;, na solução que lhe deu Maurício Martenot, já era bastante difundido, e para ele Milhaud escreveu diretamente uma Suíte.&#8221; (in Pequena História da Música, edição de 1987, p. 193)</p>
<p>O velho Mário de 1944, que morreria novo logo em seguida, embora cheio de questões com a música brasileira, dela não estar em compasso com a européia, tentando o tempo inteiro negociar uma educação mais rígida musical para o povo &#8220;naturalmente musical&#8221; mas &#8220;ingênuo&#8221; como o brasileiro, realmente entendia da vanguarda musical daquele tempo, se ligava no que acontecia no velho continente, e preconizava um cado de coisa do tipo: &#8220;Se vê por este despropósito de pesquisas generalizadas pelo mundo todo, que estamos numa fase de timbres&#8221;. O careca tava certo. Chegou a tal conclusão enumerando uma série de novos instrumentos (pianola, intuonarumori, etc) que surgiam na primeira metade do século, cada um com sua peculiar variação timbrística. Em seguida o malandro escreve, &#8220;quanto à forma, tem de tudo. A insatisfação inquieta renova todas as formas do passado&#8221;. Beabá tropicalista, beabá pós-modernista, beabá da música boa!</p>
<p>E pra quem tá achando que o paulistano acha tudo isso um saco sem fim, ele termina o livrinho da seguinte forma:  &#8220;&#8230; e faz da música atual, nas suas manifestações mais características, o livro jorro sonoro no tempo que julgo ver nela e por onde a compreendo e quero bem.&#8221; Também te quero bem, Mário. </p>
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