Os vates Maro
Publius Vergilius Maro, o Vergilio, foi o mais famoso poeta romano. Seu melhor amigo era Horácio, o homem do carpe diem. Anagramicamente seu sobrenome pode tanto significar Roma como Amor. Na juventude estudou retórica, medicina, astronomia e filosofia. Largou tudo para ser vate. Porém morreu antes de ver sua obra-prima, a Eneida, ficar pronta. A partir de então, toda a família de Vergílio resolveu carregar no sobrenome Maro, a alcunha de vate: “na antiguidade clássica, aos poetas era atribuído, graças a sua linguagem rítmica, o dom de profetizar; daí serem chamados de vates”, já diria o velho Massaud. Vieram então os Marovates que testemunharam ao longo das margens do Mediterrâneo a queda do Império Romano, a peste negra, a renascença, até chegarem a Portugal em 1755, ano do grande terremoto de Lisboa. Fugidos de Napoleão, chegaram no início do século seguinte, finalmente, ao Brasil, onde foi adotada a grafia Marovatto, com dois tês.
Muitas pedras
Marovato no idioma malgaxe significa “muitas pedras” (maro = muitas, vato = pedras). Em Madagascar existem sete povoados que levam o nome Marovato. Três na província de Antsiranana, um em Mahajanga e em Toamasina, e dois em Toliara. Em todas essas localidades foram praticada a extração excessiva de minérios por parte dos colonizadores franceses, que invadiram a ilha em 1895. “Muitas pedras” preciosas. Fugindo justamente da tomada de Antanararivo pela França, uma dezena de famílias de Marovato da província de Mahajanga chegaram na costa de Moçambique. Lá o nome da cidade natal foi adotado pelas autoridades locais como sobrenome geral de todos os refugiados malgaxes. Gerações subseqüentes de marovatos, nascidos em Moçambique, seguiram para Portugal e de lá uns poucos atravessaram o Atlântico para viver no Brasil. Aqui foi adotada a grafia Marovatto, com dois tês. Outras fontes genealógicas relacionadas aos Marovatto foram catalogadas na última década pelo vizinho do apartamento 110.
da Silva Perdigão
Mariano nasceu no dia primeiro de abril de 1982 na cidade do Rio de Janeiro. Lançou o disco Aquele Amor Nem Me Fale (Bolacha Discos, 2010) e os livros Amoramérica (7Letras, 2008) e Primeiro Vôo (7Letras, 2006). É doutorando em literatura brasileira pela PUC-Rio e escreve e apresenta semanalmante o programa musical Segue o Som na TV Brasil.








