Acaba de sair pela 7Letras, Auroras Consurgem, de Andityas Soares de Moura. Descobri o Andityas por causa da minha dissertação de mestrado e de tanto lê-lo, vejam só, acabei fazendo a orelha do Auroras, que além de ser o mais novo é o mais legal dos livros dele, na minha parcial e humilde opinião. E prestenção: em julho ele será uma criança insuportável! Mas por enquanto, leia a orelha abaixo e compre o livro aqui!
As auroras de Andityas consurgem para libertar aquilo que Nietzsche – outro interlocutor de auroras – chamou de “educação clássica”. Tanto o poeta mineiro como o filósofo alemão foram treinados nas virtudes antigas, e ambos foram impelidos, ao longo de suas carreiras, a livrar-se de tal estigma. Andityas assume em Auroras Consurgem seu papel de “vilão da vila” (em “Crepúsculo”), de “traidor do Messias” (“D’o Evangelho de Judas”). Logo ele, que cultivou e conheceu por si e só, neste século XXI, todos os poetas latinos, os trovadores provençais e a gramática galega, como nenhum outro poeta da novíssima geração. Toda esta educação, muito bem executada nos seus livros anteriores Lentus in umbra (2001), OS enCANTOS (2003) e FOMEFORTE (2005), agora dá lugar a “Língua de fogo do não”, título do poema-manifesto, espécie de “Procura da poesia” de Drummond, às avessas:
“O poema não produz dividendos. Não distribui lucros. Não faz dormir melhor. O poema não sorri nas campanhas eleitorais. / O poema não gosta de telenovela e nem está preocupado em como estacionar no shopping-center (…) Infame ter de se concentrar para sentir o pejo de um mundo sem poesia”.
Uma overdose necessária de ceticismo, Auroras é um desconforto na mesa de jantar do paideuma do próprio Andityas. Em “Poema para ser lido na ceia de natal”, T.S. Eliot é cutucado com vara curta logo no primeiro verso: “dezembro é o mais cruel dos meses”. Em “Lembranças de um poeta argentino”, afirma sobre a cidade em ruínas que não quer “ser Jorge Luis Borges” para poder dizer palavras “limpas e claras”. Andityas está de elogios a seus mestres. Enfrenta, discute, não consente. Está farto do comedimento, tem o ímpeto de Zaratustra, puxa o tapete vermelho da poesia intemporal, e por isso mesmo, mostra aqui seus melhores versos, na manhã dessa nova década de poesia.






