Nem me fale

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Hoje é domingo de sol, 32 graus, no Rio de Janeiro. Disse pra todo mundo que ia pra praia e fiquei em casa. Aproveitando a tarde pra subir as fotos que o Thales, o homem dos véus, fez do show na quarta-feira e escrever esse post. O show deu finalmente a sensação de recompensa tão esperada depois de 3 anos gravando o disco, parando, retomando, pensando no conceito, nos percalços, no que se transformou e, depois de pronto, como seria o show em relação ao disco, o repertório, etc e etc. Depois de quarta-feira, missão cumprida e, agora, muita coisa por fazer.

Pensando agora de novo no disco, ele é um reflexo da música carioca, não um apanhado, muito menos uma homenagem. Um reflexo da música da zona sul somado ao flerte com a música de Salvador (Sobre essa relação Rio – Salvador tem bastante no post sobre o livro do Fred e na resposta incrível no blog dele). Outro dia li que Villa-Lobos escutou Debussy pela primeira vez numa vitrola em Salvador: o marco zero de tudo isso.

Quanto ao show, mais uma vez agradeço ao Alessandro Boschini pela luz, Henrique Vilhena pelo som, Ana Melo e Raíssa Colela pelo belíssimo cenário, Bernardo, Paulo e Thiago pela Bolacha e ao Aguinaldo e a todo mundo do Sérgio Porto, teatro tão importante pra mim quanto o Tablado.

Convido todo mundo pra ver as fotos incríveis do Thales, clicando aqui.

É hoje, Ancelmo!

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Tá chegando a hora!

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A programação toda

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Broadcast

Talvez em 98 ou 99, numa noite dessas na casa do Jonas, ele tenha me mostrado “Booklovers” do Broadcast pela primeira vez. “Cara escuta esse Cardigans muito louco”. Na época Nina Persson, Björk, Miho & Yuka e Beth Gibbons eram nossas vozes femininas preferidas (nota: nenhuma delas americana ou brasileira). E veio aquele tecladinho bom, nervoso e colorido introduzindo aquela marcha-rancho gaélica melancólica bandeira branca amor britânica. Conseguimos baixar mais uma ou duas músicas deles no Audio Galaxy e nada mais foi perguntado ou respondido. Em 2001 quando fui pra Lisboa pela primeira vez, comprei o Work and Non Work na FNAC do Bairro Alto. O resto do ano seguiu com Broadcast como trilha sonora oficial, junto com o Vespertine, lançamento daquela moça islandesa. As outras músicas do Work and Non Work – que na verdade é uma compilação de singles – são todas deliciosamente desconfortáveis: “Message From Home”, coisa indecisa neurótica; “We’ve Got Time”, música para casais atrapalhados; “Living Room”, finalmente uma atitude… errada; “According to No Plan”, planície para respirar do sem-jeitismo, “The World Backwards”, perseguição em alta velocidade. Um disco de amor sem controle e ao mesmo tempo doce, por causa da Trish Keenan.

 

Com os anos fui sacando os outros discos que são igualmente impecáveis. Mas que não me suscitariam tantas imagens quanto Work and Non Work (que na verdade é bom por não ser impecável). Sim, existe oTender Buttons. Mas Tender Buttons é um disco, conceitualmente feito como tal, onde o amor não está perdido fazendo bobagens alegres como no Non Work.  É um disco cabeçudo, tipo a Gertrude Stein que inspirou o título. Começa com aquele teclado (de “I Found the F”) descendo descendo e repetindo com a Trish blablando coisas soturnas e infantilóides de uma forma adulta de dar medo.  A faixa título tem aquele violão de nylon incrível e irrepetível dentro da música britânica e ”America’s Boy” é pra moça branquela fazer amor. 

Com a morte da Trish Keenan, sexta-feira passada por causa de uma pneumonia decorrente da gripe suína(!!!!), vai acontecer aquilo tudo que a gente já sabe com quem morre tão indie e tão cedo assim: relançamentos, bocado de gente pagando pau (tipo eu), documentários, a importância até então invisível do Broadcast para a nova cena musical, a revelação da personalidade instigante da cantora. Tomara que tudo muito produtivo pro futuro. E viva Broadcast.

Eu, brasileiro, confesso

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Acabei de ler na tarde de ontem esta fabulosidade escrita por Frederico Coelho. De Deus e o Diabo até a Navilouca, o Fred me explicou tudo como aconteceu, livre da parcialidade de ter estado lá naqueles anos 60 e 70, o que ocorre sempre nos outros textos sobre o mesmo assunto. Bem da verdade queria que ele continuasse me explicando como foi que tudo aconteceu até semana passada, mas não teria terminado o livro ontem. Algumas coisas importantes tirei dali, fora as dezenas de anotações para o meu doutorado sobre Cacaso (um falso-marginal, diga-se de passagem). Vamos a elas. Mas nota (meu) bem que o que listarei aqui não está necessariamente escrito no livro do Fred. Vamos livrar as linhas dele da minha ignorância.

- CPC, engajamento, “fora da arte política não há arte popular” e toda esse processo burocrático de ter que justificar sua obra dentro de uma ideologia marxista paternalista com o povo, realmente putaquepariu. Thiago de Mello, Moacyr Félix viraram nota de pé de página. Gullar escorregou no quiabo, mas limpou-se no Poema Sujo, né?

- Hélio Oiticica é o cara. Aliás, a dobradinha Rio – Salvador sempre funcionou muito bem nas artes. Desde Dorival in Rio, passando por HO e os baianos, Marisa e o Brown, mais recente Pedro Sá e Ronei Jorge. O Rio só não se deu bem com o axé. Talvez o ritmo baiano não fosse tão inclusivo ou talvez fosse muito atacado pelos defensores do rock carioca.

- A bobeira que deu toda a Tropicália e, consequentemente, a Marginália de evitar o Mário de Andrade em prol do Oswald de Andrade. Culpemos a esquerda e a bipolaridade do mundo. De qualquer forma deu bobeira; como terceira via deveriam incluir Mário. Culpemos os irmãos Campos. Logo Mário, que  talvez tivesse menos projetos pro Brasil do que Glauber Rocha, logo Mário que era transviado até em piada machista sobre sua vida pessoal. Logo Mário que ensinou tudo a Drummond, unanimidade entre todos os brigões da época. Os “marginais”, “desbundados”, “ripis” e ”malditos” dos anos 70 perderam muito ao não reler Mário nos anos 60.

- Queria saber da opinião do Fred sobre os demais agitadores culturais pós-Navilouca que transitaram dos anos 70 aos 80, como Leminski, Ana C., Sérgio Sampaio, mais do Macalé, o próprio Cacaso e artistas plásticos e cineastas cujos nomes não tenho por conta de minha ignorância. Ainda sinto necessidade de um mapeamento artístico dos anos 80 em livro.

Foi isso. Fred, comprei teu outro livro ontem mesmo. Mas agora estou com o Impressões de Viagem da Heloísa, também em fase de rabiscação.

A palavra toda

Meu próximo livro já tem um título – Projeto: Praia. Tem também já alguns poemas e uma meia dúzia deles foi publicada no Blog do Noblat do jornal O Globo na semana passada. Não sei se todos estes que lá foram parar por intermédio de Pedro Lago estarão de fato no livro futuro. Por enquanto não chegam a duas dezenas os poemas para o Projeto. Escrevendo de acordo com a maré. Aproveitando a deixa do Noblat, apresentarei minhas singelas “canções” praieiras no próximo dia 24 de janeiro no SESC Copacabana no evento A Palavra Toda, que tem a curadoria de Chacal, master of the universe, e Heloísa Buarque de Hollanda, farol da poesia 70. Dividirei o palco com Alice Sant’Anna, Augusto de Guimaraens Cavalcanti, Pedro Rocha, Ismar Tirelli Neto e Gregório Duvivier. Creme do pão doce. Ainda no mesmo dia, mais tarde um cadinho, o SESC vai tremer com os dinossauros do rock Chico Alvim,  Charles,  Ronaldo Santos, Antonio Cicero e Zuca Sardan, via cassete. Não vai sobrar SESC sobre SESC.

Abaixo, os links dos poemas do Projeto: Praia que foram parar no Blog do Noblat. O destaque vai para os comentaristas poéticos cativos do blog Pedro Curiango e Carlos Prudente Leite, que transformaram a minha nonchalance leblonímica em algo como uma mesa redonda futebolística da CNT. Palmas para todos.

Hvile – http://glo.bo/i4hnrW

Todos os Percursos Impossiveis – http://glo.bo/fKRQhJ

Bootleg – http://glo.bo/eqLTi5

Devir Sorveteria – http://glo.bo/e0YYiG

Primeira Vontade – http://glo.bo/fVxTzP

O Coração, O Coração – http://glo.bo/e4pC30

Caution slippery floor

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Caros clientes, estamos sofrendo uma pequena reforma devido a construção de alguns puxadinhos aqui no .org. Dentro de algumas horas voltaremos a programação normal. Os transtornos passam, mas os benifícios ficam. Obrigado, a gerência.

O dia três de janeiro do onze

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O que aprendi em 2010

Antes que esse ano vá simbora (levando uma década inteira com ele), gostaria de repassar para vocês, asseados frequentadores deste .org, alguns ensinamentos que me foram transmitidos por MMX himself que cuidadosamente velei no meu altarzinho, parafraseando Paulão. Clica, fazendo o favor:

Aprendi a ler
Roxy Carmichael Nunca Voltou, graças a Ana Guadalupe
Automatografo, graças ao Victor Heringer

Aprendi a escutar
Mariomaria, graças ao Mário Cascardo

Aprendi a ver
Laura Lannes, graças a ela própria

Foi assim. Nos vemos ano que vem. Bastante.