apresenta:
Palavra,
música,
​ruído.

Quem inventou a música? Quem inventou a palavra? Talvez a resposta imediata mais adequada seria: o som e o silêncio, manipulados pela primeira vez há milhares de anos por primatas do gênero Homo da família dos hominídeos, nossos ancestrais. Pois é partindo de lá até alcançar a briga neoliberal pelo monopólio das plataformas de streaming musical dos dias de hoje que esse minicurso pretende realizar o seu tour de force.

 

Palavra, música, ruído é uma investigação dos principais eventos em que, ao longo das eras, o verbo, o som, o silêncio e o ruído estiveram em choque. Um minicurso que se aplica não só aos estudantes e entusiastas da música e da literatura, mas a todos os curiosos em entender essas exclusivas linguagens humanas. Não é necessário qualquer pré-requisito musical, muito menos linguístico, literário, econômico ou antropológico. É um curso livre para todas as idades para todos os Homo sapiens portadores de ouvidos.

Por vinte e cinco séculos, o conhecimento ocidental tentou olhar para o mundo. Falhou, pois não entendeu que o mundo não é para ser visto. É para ser ouvido. O mundo não é legível, mas audível.

Jaques Attali

Se examinarmos a prática atual da crítica musical, fica evidente que a obra (ou sua performance) é sempre traduzida com a mais pobre das categorias linguísticas: o adjetivo.

 

Roland Barthes

O compositor popular passa um recado, uma pulsação que inclui um jogo de cintura, uma cultura de resistência que sucumbiria se vivesse só de significados. Ela trabalha simultaneamente os ritmos do corpo, da música e da linguagem O compositor popular passa um recado, uma pulsação que inclui um jogo de cintura, uma cultura de resistência que sucumbiria se vivesse só de significados. Ela trabalha simultaneamente os ritmos do corpo, da música e da linguagem.

José Miguel Wisnik

Os lusos vinham preparados para o contato verbal, mas o mar teimava em dificultar. É Pero Vaz que nos conta que ‘não pôde deles haver fala nem entendimento... por o mar quebrar na costa.’ Era então pelo ruído que o mar continuava interpondo obstáculos.

Régis Duprat

Aula 1: Milagre e escândalo

 

Por que somos seres tão barulhentos; As tentativas de ordenação do ruído que produzimos; A inteligência do silêncio; A busca da primeira melodia; A revolução telefônica; A revolução fonográfica. Pigmeus e Pitágoras. Graham Bell e os telepatas.

 

Aula 2: A ordenação ocidental

 

A polifonia modal; A domesticação do canto indígena; Jograis contra menestréis; Cacofonia e abstração; A poesia incapaz de ser música; Mário de Andrade, Paul Zumthor e o civilizado monofônico; Helza Camêu e Pauline Oliveros; Voz e escuta.

 

Aula 3: O sonho da desalienação

 

A era de ouro da canção keynesiana; Educação musical, política e sentimental; A canção crítica de Santuza, Tatit e Wisnik; Por que Bob Dylan importa; Trunfo e triunfo da canção brasileira; Caetano é foda; O fim do fonógrafo; Spotify e depressão; Neoliberalismo necrofônico.

 

Aula 4: Samba de Guerrilha, com Luca Argel

 

Memória em forma de samba; A característica nacional; O fantasma sobre a maior cidade africana do mundo; 13 de maio; Tudo era delírio; Como apagar uma praça; As armas que nos restam.

Palavra, música, ruído.

 

Quatro encontros pelo Zoom das 18:30 às 21hs.

Às quartas-feiras 24/03, 31/03, 07/04 e 14/04.
Valor: 290 reais. Inscrições e mais informações:

editora@7letras.com.br ou (21) 99117-3899.

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