Os equipamentos das três salas apresentadas foram projetados e construídos entre 1996 e 1999 por oito pequenos autômatos, por sua vez, fabricados originalmente pela Ciberbrás, em 1963, sob a tutela de Teófilo Alvim. São exemplares da primeira geração de trabalhadores cibernéticos civis brasileiros, desenvolvidos para exercer funções bibliotécnicas e burocráticas na Brasília da era Jango.

Todavia, com a interrupção das atividades da Ciberbrás em março de 1964, as oito criaturas de metal foram desligadas. E assim permaneceram por três décadas até serem redescobertas e novamente reunidas para a construção de nosso complexo marciano. Vamos conhecê-los.

Da esquerda para a direita: Quadrino, Bifório, Roseta e Fortunato.

1. Quadrino

ARQUIVISTA ÓPTICO — SALA DE TRANSDUÇÃO

O autômato azul-acinzentado, de lente fotográfica quadrada na cabeça e duas mãos articuladas. É o responsável pela conservação das imagens, pela recuperação de documentos e pelo armazenamento dos materiais que aguardam leitura. Tem o hábito de arquivar coisas que ainda estão sendo utilizadas.

2. Bifório

TRANSCRITOR — SALA DE TRANSDUÇÃO

O autômato verde-oliva, com dois enormes olhos redondos e um painel de instrumentos no abdômen. Sua especialidade é transformar qualquer voz em texto em excepcional velocidade, inclusive conversas simultâneas. É fã de Simon Wajentraub.

3. Roseta

BUROCRATA EDITORIAL — SALA DE TRANSDUÇÃO

O pequeno autômato creme, de cabeça rosada, olhos amarelos e gavetas cor-de-cobre na barriga. Responsável pela impressão, reprodução e circulação autorizada de documentos. É o mais meticuloso da equipe. Nenhum documento entra ou sai do arquivo sem sua aprovação, embora frequentemente se esqueça do que acabou de autorizar.

4. Fortunato

CHEFE DE SEGURANÇA DOCUMENTAL — SALA DE VIGILÂNCIA TEXTUAL

O grande autômato branco-marfim, de corpo semelhante a uma cápsula espacial, coberto de rebites, mostradores e pequenas escotilhas. Encarregado da descontaminação de papéis, segurança dos documentos e fiscalização das correspondências internas. Um pouquinho paranóico.

Da esquerda para a direita: Zunzum, Gaveto, Noctílio e Olívio.

5. Zunzum

SONOPLASTA — SALA DE CONVERSÃO MULTIMODAL

O pequeno autômato branco, bastante enferrujado, com duas antenas inclinadas e enormes olhos esverdeados. Lembra um inseto radiofônico. É responsável pela conversão, mixagem e recuperação de gravações. Também cuida de transmissões radiofônicas. Apresenta o defeito de reproduzir involuntariamente, em volume baixo, as últimas conversas que escutou.

6. Gaveto

CLASSIFICADOR E CRIPTÓGRAFO — SALA DE CONVERSÃO MULTIMODAL

O autômato dourado e creme, de olhos negros enormes, várias gavetas no tórax e uma lâmpada vermelha no alto da cabeça. Especialista em organizar documentos, criar classificações e codificar informações. Escreveu telegraficamente um tratado sobre taxonomias mutantes. Quando encontra uma contradição lógica, sua sirene vermelha dispara.

7. Noctílio

ANALISTA TEXTUAL — SALA DE VIGILÂNCIA TEXTUAL

O autômato de ferro quase negro, de corpo quadrangular e dois olhos ópticos desproporcionais. É o mais austero dos oito. Responsável pela comparação de versões, identificação de alterações e análise da resistência histórica dos textos. Não tem muito senso de humor.

8. Olívio

OPERADOR DE IMAGENS — SALA DE CONVERSÃO MULTIMODAL

O autômato verde, de cabeça abobadada, grande olho circular na testa e duas engrenagens aparentes no peito. Especialista em ampliar conteúdos informacionais e interpretar sinais vindos do espaço. Criou um catálogo com todas as criaturas e robôs inventadas por Robert Sheckley.

Imagino que muitos de vocês devem estar se perguntando o que é Ciberbrás. Sigam por aqui.